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Estudantes ocupam reitoria da UERGS para exigir contratação de professores

Luís Eduardo Gomes – Sul21

Liderados pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e com a autorização da reitoria, estudantes da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), ocupam desde a última terça-feira (13) a sala da direção da universidade, localizada no campus da Av. Sete Setembro, no Centro Histórico de Porto Alegre. Os estudantes reivindicam a contratação de 86 concursados para suprir a defasagem de professores e a reposição imediata de quatro concursados em quatro campus do interior do Estado e de dois substitutos para atuar em Porto Alegre

Coordenadora-geral do DCE, Laura Ramos, está no sétimo semestre do curso de Administração em Sistemas e Serviços de Saúde, mas nenhuma cadeira prevista no currículo do curso para esta fase sendo oferecida neste período. Depois de se transferir do curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia, Nathália Mello está no quinto semestre de Letras, mas cursa cadeiras do terceiro e do primeiro semestre porque nenhuma do seu período está sendo oferecida. A disciplina de Libras, que seria oferecida, está sem professor. Alexandra Barros, que está no terceiro, faz cinco cadeiras, mas o currículo prevê ainda outras duas disciplinas, para as quais faltam professores. “Se não houver esse movimento para trazer novos professores, ano que vem nós não vamos poder abrir novas turmas do curso de Letras”.

Segundo os alunos, há, atualmente, menos de 10 professores para ministrar todas as disciplinas dos oito semestres destes cursos, o que faz com que cada semestre tenha menos cadeiras oferecidas do que os currículos preveem. Na Administração, os professores se dividem também entre os cursos de Administração Pública e Administração em Gestão Pública (curso que não abre mais vagas, mas ainda possui turmas em andamento) e dois deles acabaram se afastando da universidade neste semestre por conseguiram vagas em outras instituições.

A previsão original era que Laura se formasse no final de 2018, mas, mesmo tendo cursado todas as cadeiras que pôde, ela só conseguirá concluir o curso no final de 2019, na melhor das hipóteses. Neste semestre, por exemplo, só está cursando uma das cadeiras do sétimo período e duas do oitavo. Ela lamenta o fato de que os alunos precisem ficar “pulando” de semestres ou, como aconteceu com ela, fazendo disciplinas de outros cursos de Administração e pedir validação para não ficar parada.

“Os alunos prorrogam ainda mais o prazo para se formar. Se a gente tivesse o número ideal de professores para atender todas as disciplinas correntes de cada semestre, de cada curso, nós teríamos os alunos se formando em tempo real. Porém, o que acontece é que a formatura acaba se prorrogando três, quatro semestres a mais”, diz Laura.

A falta de professores de Administração provocou o início do movimento de ocupação, mas os estudantes dizem que a ação se expandiu para reivindicar o preenchimento da defasagem em todos os campi da UERGS. Há, por exemplo, unidades funcionando com apenas um professor local, precisando que docentes se desloquem de outras regiões para que as aulas possam ser oferecidas. Segundo os estudantes, desde terça-feira pelo menos 40 pessoas têm se alternado na ocupação, dormindo e fazendo seus trabalhos de aula na sala da reitora, onde se lê por todos os lados placas com dizeres como “UERGS, quem entrou quer se formar”.

Problema histórico

A reitora Arisa Araujo da Luz, que conversou com a reportagem ao lado dos estudantes, na sala ocupada da reitoria, diz que o problema da falta de professores não é pontual e que já é conhecido há anos, não sendo apenas desse governo. Ela recorda, que antes de assumir a reitoria, em 2014, trabalhava na unidade de São Luiza Gonzaga e, lá, chegou a passar três anos com apenas dois professores para atender cinco turmas.

Os estudantes temem que a falta de professores possa reduzir a oferta de novas vagas para o próximo ano e a consequente extinção de cursos e unidades, ou até da possibilidade de extinção da UERGS. Arisa, contudo, diz que não há risco de diminuição do número de unidades e cursos, a não ser que esta seja a decisão da comunidade universitária. “Enquanto eu for reitora, não há o risco de fechamento das unidades”, diz Arisa, que encerra o mandato em novembro de 2018.

Arisa informa que a UERGS conta atualmente com 278 professores para 6.444 alunos (cerca de 600 na Capital) matriculados na graduação e  na pós-graduação. Segundo a reitora, 86 vagas seriam necessárias para que todas as unidades pudessem oferecer todas as disciplinas de graduação e pós-graduação (a UERGS prevê o oferecimento de quatro cursos de Mestrado e dois de Doutorado, mas oferece apenas dois de Mestrado), mas que, além dos dois professores de Administração em Porto Alegre, faltam em caráter emergencial quatro vagas que devem ser obrigatoriamente preenchidas por concursados nos campi de Sananduva, São Borja, Caxias do Sul e São Francisco de Paula.

Arisa destaca, porém, que já haveria previsão para o preenchimento das vagas mais emergenciais e que, apesar das dificuldades, a UERGS continua realizando o seu trabalho. Apesar de reconhecer a defasagem e o problema da falta de financiamento pela atual gestão, ela diz que não se pode dizer que a instituição está sucateada, lembrando que a maioria dos cursos têm boa avaliação no MEC e que há outros, como Tecnologia em Automação Industrial, que são referência estadual e nacionalmente.

“A universidade tem uma condição boa. A gente está com dificuldade? Estamos, mas não é uma situação calamitosa. O que os alunos estão fazendo aqui é um movimento pacífico para que o governo nos libere 86 vagas ou quantas puder”, diz. “Para tu teres uma ideia da demanda, o curso de Mestrado em Educação em Osório, para 16 vagas, tivemos 400 inscritos”.

Contudo, em audiência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa que tratou do assunto na manhã desta quarta, os estudantes apresentaram uma carta a ser entregue para a chefia da Casa Civil do governo do Estado denunciando que, além de diversos alunos, principalmente formandos, estarem sendo prejudicados pela falta de professores, a UERGS se encontra em “estado de calamidade e sucateamento”, citando o fato de que o orçamento da universidade está congelado há três anos.

O presidente da comissão de Direitos Humanos, deputado Jeferson Fernandes (PT), que também se reuniu com a reitora Arisa nesta manhã, disse que irá convocar os deputados de todas as regiões que contam com unidades da UERGS para formar uma frente e pressionar o governo Sartori a preencher as vagas em aberto.

Procuradas, a Casa Civil e a Secretaria de Ciência e Tecnologia não responderam até a publicação dessa reportagem o questionamento se a demanda pela contratação de professores será atendida. Há atualmente um concurso homologado em 2014 que oferece um cadastro de reserva que poderia ser acionado para o preenchimento dessas vagas, mas ele vence em julho deste ano. Caso os docentes não sejam chamados até lá, as vagas das unidades de Sananduva, São Borja, Caxias do Sul e São Francisco de Paula só poderão ser preenchidas se realizado um novo concurso, o que implicaria novos custos e não há qualquer previsão de que possa ocorrer.
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