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Jardim Botânico, 62 anos: luta para manter os serviços

Na última quinta-feira (10), completou-se 62 anos da fundação do Jardim Botânico de Porto Alegre (JB). Devido à pandemia, as comemorações ficaram restritas a uma visita virtual, em tempo real. De qualquer forma, os motivos para celebrar são poucos.
Assim como o Museu de Ciências Naturais e o Jardim Zoológico, o Jardim Botânico segue funcionando graças aos esforços heroicos de poucos trabalhadores e trabalhadoras da agora extinta Fundação Zoobotânica (FZB). Com o fechamento da Fundação, em 2017, muitos colegas foram remanejados para outras áreas do governo – em especial a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) – ou demitidos, apesar de um acordo na Justiça do Trabalho que garantiu os empregos até uma decisão final no STF sobre o direito à estabilidade dos servidores.
Os poucos que restaram no local são responsáveis por muito mais do que um parque: o Jardim Botânico é lar de diversas espécies de fauna e flora, sendo 60% delas ameaçadas de extinção e cultivadas ex situ (fora do seu habitat natural). Eles também lutam contra a falta de recursos e o sucateamento para manter o status da entidade na categoria A, estabelecida pelo Sistema Nacional de Meio Ambiente.
Sucateamento e falta de investimentos
Com a extinção da FZB, o JB perdeu a autonomia financeira, dependendo do orçamento do Estado para dar conta de sua manutenção. Além disso, como lembra o pesquisador e professor universitário Paulo Brack no blog Via Biodiversa, a retirada de pesquisadores e o enfraquecimento do status de instituições de pesquisa (JB e MCN) vêm “inviabilizando a continuidade de bolsistas de iniciação científica, perdendo-se espaços para estágios, bolsas e também auxiliares fundamentais nas pesquisas em áreas que já sofrem com lacunas de pessoal envolvido com a Conservação da Biodiversidade.”
Os parcos recursos já resultaram em perdas importantes. A falta de um conserto no telhado do Cactário provocou danos irreversíveis à coleção de cactos – o que gerou um processo judicial contra a secretária do Meio Ambiente da administração anterior, Ana Pellini. A queda de uma parte do muro também permite a entrada de pessoas e animais domésticos, colocando em risco o patrimônio e a fauna. Sem contar casos de vandalismo em laboratórios e espaços de algumas espécies, como as cobras, que vêm ocorrendo desde a época da votação do processo de extinção.
O desperdício também causa espanto. De acordo com reportagem publicada pelo Jornal Já, através da Lei de Acesso à Informação, descobriu-se que o governo pagou R$ 700 mil para criar um banco de dados digital com as coleções científicas do Jardim Botânico e do Museu de Ciências Naturais, que ficou incompleto e até hoje não funciona.
É com tudo isso que quem ainda atua no local precisa lidar. Lembrando que, com o fim da FZB, foi-se boa parte da estrutura interna, como direção, chefias e responsáveis pelos diferentes setores, plano de carreira e reposição de pessoal.
O SEMAPI segue integrando a Frente Jurídica em Defesa das Fundações, e busca garantir direitos a trabalhadores e trabalhadoras que perderam seus direitos com o fim das fundações. Também aproveitamos para homenagear todos que seguem lutando para desenvolver seu trabalho com dignidade, mantendo muito mais do que um local para visitar, mas um centro de pesquisa e preservação. Esse trabalho tem valor – e muito!
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