• T-
  • T
  • T+
CÓDIGO SINDICAL: 565.000.02779-7
Filiado à CUT Contracts

SEMAPI participa de Audiência Pública sobre extinções e privatizações no Estado

O teatro Dante Barone da Asembleia Legislativa estava lotado para a audiência pública que debateu a extinção de fundações e a privatização de empresas estatais do Rio Grande do Sul. O evento aconteceu nesta quinta-feira (3) e reuniu, além do SEMAPI, deputados estaduais e federais, e representantes de centrais sindicais e de diversas entidades e associações ligadas a fundações e instituições e empresas estaduais, e também trabalhadores e trabalhadoras do funcionalismo público.

Proposta pelo deputado Pedro Ruas (PSOL), a audiência pública foi presidida pelo também deputado Nelsinho Metalúrgico (PT), que abriu o evento falando da necessidade de uma grande unidade dos servidores para que os direitos dos trabalhadores e da sociedade como um todo sejam respeitados. Ruas disse que o patrimônio do RS faz uma enorme diferença para o desenvolvimento do Estado, e que o governo Sartori quer sim o desmonte quase que absoluto da máquina estatal.

Representando o SEMAPI, Mara Feltes afirmou que o governo é irresponsável, que usa da mentira para poder acabar com o Estado. De acordo com a sindicalista, todas as fundações representam apenas 1,6% da receita estadual, e as extinções não resolveriam o problema da crise econômica. "Quem defende o serviço público de qualidade, defende a sociedade gaúcha", destacou. Job Osório, representando a Fundação de Recursos Humanos (FDRH), comentou a importância da Fundação e sua capacidade de captar recursos para o Estado. De acordo com Job, a intenção é sucatear ao máximo as instituições estaduais para depois “fazer o entreguismo”. O diretor do SEMAPI e trabalhador da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Róber Iturriet, apontou a diminuição do Estado por conta de exonerações, e finalizou dizendo que todos têm a responsabilidade histórica de combater o fascismo cada vez mais crescente.

A deputada Manuela D'ávila (PCdoB) disse que um grande teatro tem sido feito sobre a crise financeira do Estado para justificar a venda de empresas e a extinção de fundações. "Há uma grande armação de que não há dinheiro no caixa e que é preciso enxugar o Estado." O deputado federal Elvino Bohn Gass (PT) lembrou que, no âmbito nacional, o petróleo já foi entregue, e que, no Estado, mais de R$ 6 bilhões de impostos já foram sonegados só em 2016, e o governo vem com “a choradeira de que não tem dinheiro”. "O governo Sartori é um liquidante do Estado do RS", declarou. Maria do Rosário, deputada federal (PT), também citou a relação entre o Piratini e o governo golpista de Temer, que estão alinhados para quebrar o serviço público. De acordo com a deputada, o agravamento da situação do país está se dando com o aval da maioria dos políticos, e é preciso urgentemente barrar a PEC 55 (antiga PEC241), que congela investimentos por 20 anos no Brasil.

A deputada estadual Stela Farias (PT) ressaltou a ausência de bancadas não esquerdistas no evento. "Apenas PCdoB, PT e PSOL participaram do evento porque são os que verdadeiramente se preocupam com a classe trabalhadora. E o que isso tem a ver com a minha fundação? Tudo!", disse a deputada. "Precisamos saber quem está comprometido com trabalhadores e trabalhadoras", enfatizou. Stela disse ainda que a sociedade está sob efeito de uma manipulação brutal, e, para a grande maioria, o serviço público é caro, deficitário e ineficiente. "Nós temos que parar este país, senão, não vai sobrar pedra sobre pedra."

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, comentou que, de tempos em tempos, ressurge “o papo furado” de que o Estado é muito grande, dá muito prejuízo e precisa ser enxugado. Ele lembrou também que a bancada do governo (PMDB) não tem coragem para ouvir os trabalhadores, mas que, se fosse uma reunião com empresários, eles estariam bem atentos. Érico Corrêa, da CSP Conlutas, também declarou que não é possível discutir o Estado do ponto de vista do capital, e que o momento é mais sério do que parece, pois, além da extinção de fundações, deve ocorrer a extinção de empregos. "Eles estão a mando da burguesia", disse Corrêa, que defendeu também o impeachment do governador Sartori. Berna Menezes, representando a Intersindical, lembrou que 11 de novembro deve ser um forte dia de paralisação em todo o Brasil para unificar essa luta contra o retrocesso. Igor Pereira, da CTB, e Oniro da Silva Camilo, da Nova Central Sindical de Trabalhadores, também falaram da importância de unificar a luta, independentemente de central.

Jan Karel, biólogo e pesquisador da Fundação Zoobotânica do estado (FZB), lembrou que, graças a trabalhadores e trabalhadoras, à comunidade científica, à sociedade, ao SEMAPI e também a deputados, foi possível reverter em 2015 o andamento do PL 300, que prevê a extinção da FZB. Karel também disse que a importância da Fundação não pode ser calculada, e destacou a frase que estampa as camisetas dos servidores: "A Fundação Zoobotânica não tem preço, tem valor!" Representando o Instituto Curicaca, Alexandre Krob denunciou o desmonte que vem sofrendo a Secretaria de Meio Ambiente (Sema), especialmente a FZB, e reforçou que somente nas ruas é que será possível conseguir barrar as extinções. Representando o Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema), Cássio Rabuske leu a carta do movimento, que também denuncia o desmonte da Sema, da Fepam e da FZB pela secretária Ana Pellini, e disse que é preciso lutar por aqueles que não têm voz. "Juntos – e somente juntos – somos imbatíveis."

O presidente da União Gaúcha de Escrivães, Inspetores, Radiotelegrafistas e Mecânicos Policiais (UGEIRM), Isaac Ortiz, comentou que segurança é serviço público, e que, desde o início do governo Sartori, a segurança e o funcionalismo público vêm sendo atacados. De acordo com Ortiz, o alarmismo só começou porque a violência chegou na burguesia: "enquanto estava só na periferia, tudo bem. Enquanto só morria pobre, estava tranquilo", desabafou. O presidente da Associação dos Monitores e Agentes Penitenciários do RS (Amapergs), Flavio Berneira, destacou que é preciso mostrar para a sociedade que o serviço público não é oneroso, e que boa parte da sociedade realmente não se importa, até porque podem pagar pelos serviços prestados pelas empresas privadas.

Vários representantes de outras entidades se manifestaram contra o pacote de maldades do Governo Sartori que está para ser lançado, com o intuito de reduzir a estrutura do Estado ao mínimo. Ana Maria Spadari, representante da Sinergisul, lembrou que parte da CEEE foi vendida no governo Britto, e indagou quais foram os benefícios que as empresas privadas trouxeram para o Estado. "Por que entregar o resto da CEEE se somos tão qualificados ou mais do que as empresas privadas?" Ela concluiu dizendo que empresa pública não é para dar lucro, mas para prestar um serviço de qualidade a todos.

Representantes da TVE e da FM Cultura também participaram do evento, e convidaram todos para o ato que vai ser realizado no sábado (5), às 15h, junto ao espelho d'água da Redenção. O objetivo é defender essas instituições, que vêm sofrendo ataques sistemáticos do Governo Sartori. Ao final da audiência pública, foi aprovado o manisfesto ao povo gaúcho, em que denunciam a intenção do governo de privatizar estatais e extinguir fundações. Também foi aprovada a greve geral no dia 11 de novembro e o processo do impeachment do Sartori.
Voltar
  • SEMAPI-RS
  • 0800 5174 06
    (51) 3287 7500
  • ouvidoriasemapi@gmail.com
  • Travessa Alexandrino de Alencar, 83, bairro Azenha - Porto Alegre/RS
  • Newsletter